Foto: Janela indiscreta - Alfred Hithcock - 1954

quarta-feira, 4 de julho de 2012

"O patriotismo é o último refúgio do canalha."

O gênio Stanley Kubrick, como sempre, entra num gênero para cravar o nome em sua história. Faria isso com o épico em Spartacus (1960), com a ficção científica em 2001: uma odisseia no espaço (1968) e Laranja Mecânica (1972) e com o terror em O iluminado (1980), só para citar alguns exemplos. Este filme antiguerra é mais um belo exemplo da capacidade daquele que, na opinião deste humilde escriba, seria um dos maiores dominadores da sétima arte. 
O longa, que se passa na Primeira Guerra Mundial, conta a história de um grupo de soldados que é acusado de covardia após fracassarem na tomada de um ponto estratégico chamado de Formigueiro. Cabe, então, ao Coronel Dax (Kirk Douglas) a tarefa de defendê-los. 
Das atuações à fotografia em preto e branco -  centrada muito mais no ambiente clautrofóbico das tricheiras e nos salões dos palácios que abrigavam os "senhores da guerra" - tudo é muito bem orquestrado, e o resultado é maravilhoso. 
É de se destacar também o clima conseguido em algumas sequências - em especial a do fuzilamento.
A atmosfera conseguida ali, com o uso maravilhoso da steadycam (recurso que possibilida o "passeio" da câmera com mais estabilidade) não é para qualquer um que se atreva a brincar de cineasta. Aliás, contruir climas perturbadores sempre foi uma das marcas registradas do cineasta. E, afinal, não é essa a essência do cinema?
Com o longa, assim como fez de modo mais sarcástico em Doutor Fantástico (1964), Kubrick mostra como pessoas se tornam marionetes em conflitos onde poucos lucram com o sacrifício de muitos.