Foto: Janela indiscreta - Alfred Hithcock - 1954

quarta-feira, 25 de maio de 2011

O deus que aprendeu a ser herói

Há de se tirar o chapéu para os executivos da Marvel. Os caras tiveram a maior sacada financeira da indústria cinematográfica em décadas: preparar o público para algo grandioso, soltando aos poucos pequenas grandiosidades.


Este Thor é mais um "capítulo" do projeto Os vingadores que já contou com as bem-sucedidas carreiras de Homem de ferro (e suas sequências) e O incrível Hulk e que ainda contarão com os aguardadíssimos Capitão América: O primeiro vingador e The Amazing Spider Man. Do ponto de vista mercadológico, a ideia é brilhante, isso não se pode negar.


No entanto, de nada adiantaria lançar os pomos de apresentação de cada um desses personagens e decepcionar o público com eles. Seria um tremendo tiro no pé. Por isso, cada uma das aventuras de iniciação nos personagens mereceu um cuidado especial e, contando com elencos estelares e efeitos de primeira, caíram nas graças do grande público. No que tange à saga do filho de Odin não foi diferente.


Escalando surpreendentemente Kenneth Brannagh (Henrique V, Frankestein de Mary Shelley e Hamlet) para comandar este espetáculo shakesperiano repleto de intrigas palacianas, os engravatados dos quadrinhos mostraram que, além de entreter, também estão preocupados em dar maior profundidade psicológica a suas galinhas dos ovos de ouro, quer dizer, seus personagens. E realmente foi um baita acerto, inclusive nas sequências de ação - motivo de certo receio por parte deste que vos escreve.


O que vemos na tela é a formação de um herói a partir de um deus. Calma, não estou insinuando que haja uma degradação entre os dois conceitos. Mas para quem já estudou um pouco de mitologia (principalmente a grega) vai ver que nem sempre os imortais supremos tomam atitudes louváveis. E devido ao enorme poder que ostentam as consequências de seus erros ganham em magnitude.


Às véperas de se tornar rei, Thor é banido por colocar a paz entre os reinos celestes em perigo ao agir de modo destemperado. Ele será obrigado a aprender a ser gente como a gente aqui na Terra. Enquanto isso, seu invejoso irmão caçula Loki faz de tudo para mantê-lo no exílio ao passo que se prepara para assumir seu lugar ao trono. Neste embate, repito, torna-se fundamental a presença de Brannagh no comando do projeto. Só um profundo conhecedor do maior poeta inglês conduziria temas como ambição, inveja e nobreza com tamanha habilidade, tendo tantos outros elementos que uma aventura deste quilate comporta para se ocupar.


As idas e vindas entre os mundos podem quebrar um pouco a unidade do filme, mas a boa mistura entre humor e ação, salpicados de romance, tornam essa falha do roteiro quase imperceptível. Além disso, o elenco capitaneado por Anthony Hopkins e auxiliado pela recém oscarizada Natalie Portmam dão conta do recado, por mais difícil que possa ser dar qualquer nuance de interpretação em longas tão movimentados. Por sua vez, Chris Hemsworth (Star Trek) defende bem seu papel título, salientado corretamente a passagem do deus egoísta e irresponsável para o herói justo e altruísta. Já Stellan Skarsgard e Kat Dennings seguram na boa a carga cômica da história. Um filme poderoso como o martelo de Thor e como o apelo comercial dos heróis dos quadrinhos. (Nota: 7,0)























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