Vamos à historinha: quando seu irmão gêmeo morre, o ex-fuzileiro Jake Sully (Sam Worthington, crescendo a cada papel) é recrutado para se infiltrar no clã dos Na’vi, a fim de colher informações sobre seu modus vivendi e convencê-los a uma rendição pacífica. Ao entrar no corpo de um desses integrantes do Blue Man Group versão felina, Jake, que é paraplégico, fica seduzido com a ideia de viver saltando por aí, em harmonia com a floresta e com os exóticos animais do lugar. Contudo, rapadura é doce, mas não é mole, já dizia o ditado. O implacável Quaritch (Stephen Lang, no limite entre a potência e a caricatura), militar incumbido de devastar os Na’vi do mapa, vem tal qual um Mumm-Ra de farda, acabar com a festa e mostrar o quanto a força bruta é desnecessária num processo civilizatório.
Avatar vai deixar muita gente de queixo caído com suas apoteóticas cenas. A ideia de grandiosidade atinge um ponto sem precedentes e, talvez por isso, tenha faltado um pouco de apreço na elaboração de alguma surpresa para além das imagens. Mas, há pelo menos uma reiteração pertinente: James Cameron faz ressurgir aquela armadura gigante utilizada por Sigourney Weaver (que também integra o elenco deste projeto) na antológica luta final de Aliens, o resgate. Se ao vestir o traje, a Tenente Ripley iguala suas forças com as do asqueroso alienígena, no longa de 1986, desta vez é o vilão Quaritch quem se fará valer do recurso para dar cabo dos nossos smufs super-desenvolvidos, expondo os dois lados da relação homem/máquina.
Teria, com isso, o cineasta caído numa baita contradição? Afinal, ele lança mão de todos os recursos tecnológicos disponíveis para falar de mocinhos que lutam munidos de arco-e-flecha contra armas de destruição em massa. No entanto, quando modernas aeronaves sucumbem ao ataque de incríveis criaturas aladas, fica claro que Cameron parece ter mudado de lado nesta batalha entre ciência avançada e o desconhecido.










