Depois de encher oceanos de lágrimas e ganhar rios de dinheiro com sua epopéia náutica, o criador dos dois primeiros filmes da franquia O exterminador do futuro reaparece, após muita especulação, com o maior espetáculo visual deste início de século.
Embora possa parecer uma mistura de Thundercats, Pocahontas e, por que não, Iracema, a trama, cheia de clichês, é mera formalidade narrativa a serviço da mais alta tecnologia já criada em 3D. Para tanto, o cineasta recorreu aos estúdios de Peter Jackson (da trilogia O Senhor dos Anéis) na Nova Zelândia, que já haviam inovado nos efeitos especiais com King Kong (2005), na construção de uma câmera especial para a ambiciosa empreitada futurista. O resultado é algo que podemos, na falta de palavra melhor, chamar de embasbacante – a “cor local” deste Novo Mundo mágico é tão variada e rica que tem o poder de encantar até um daltônico.
Trata-se de mais um filme que recorre ao fantástico para falar de problemas bem palpáveis a nós, pobres (e podres) seres de carne. O imperialismo selvagem que pulveriza nativos atrás de riquezas naturais nos é bem familiar e é exposto de maneira um tanto quanto simplista. A grande vedete aqui é, realmente, o visual exposto na tela. 
Vamos à historinha: quando seu irmão gêmeo morre, o ex-fuzileiro Jake Sully (Sam Worthington, crescendo a cada papel) é recrutado para se infiltrar no clã dos Na’vi, a fim de colher informações sobre seu modus vivendi e convencê-los a uma rendição pacífica. Ao entrar no corpo de um desses integrantes do Blue Man Group versão felina, Jake, que é paraplégico, fica seduzido com a ideia de viver saltando por aí, em harmonia com a floresta e com os exóticos animais do lugar. Contudo, rapadura é doce, mas não é mole, já dizia o ditado. O implacável Quaritch (Stephen Lang, no limite entre a potência e a caricatura), militar incumbido de devastar os Na’vi do mapa, vem tal qual um Mumm-Ra de farda, acabar com a festa e mostrar o quanto a força bruta é desnecessária num processo civilizatório.
Avatar vai deixar muita gente de queixo caído com suas apoteóticas cenas. A ideia de grandiosidade atinge um ponto sem precedentes e, talvez por isso, tenha faltado um pouco de apreço na elaboração de alguma surpresa para além das imagens. Mas, há pelo menos uma reiteração pertinente: James Cameron faz ressurgir aquela armadura gigante utilizada por Sigourney Weaver (que também integra o elenco deste projeto) na antológica luta final de Aliens, o resgate. Se ao vestir o traje, a Tenente Ripley iguala suas forças com as do asqueroso alienígena, no longa de 1986, desta vez é o vilão Quaritch quem se fará valer do recurso para dar cabo dos nossos smufs super-desenvolvidos, expondo os dois lados da relação homem/máquina.
Teria, com isso, o cineasta caído numa baita contradição? Afinal, ele lança mão de todos os recursos tecnológicos disponíveis para falar de mocinhos que lutam munidos de arco-e-flecha contra armas de destruição em massa. No entanto, quando modernas aeronaves sucumbem ao ataque de incríveis criaturas aladas, fica claro que Cameron parece ter mudado de lado nesta batalha entre ciência avançada e o desconhecido.
Vamos à historinha: quando seu irmão gêmeo morre, o ex-fuzileiro Jake Sully (Sam Worthington, crescendo a cada papel) é recrutado para se infiltrar no clã dos Na’vi, a fim de colher informações sobre seu modus vivendi e convencê-los a uma rendição pacífica. Ao entrar no corpo de um desses integrantes do Blue Man Group versão felina, Jake, que é paraplégico, fica seduzido com a ideia de viver saltando por aí, em harmonia com a floresta e com os exóticos animais do lugar. Contudo, rapadura é doce, mas não é mole, já dizia o ditado. O implacável Quaritch (Stephen Lang, no limite entre a potência e a caricatura), militar incumbido de devastar os Na’vi do mapa, vem tal qual um Mumm-Ra de farda, acabar com a festa e mostrar o quanto a força bruta é desnecessária num processo civilizatório.
Avatar vai deixar muita gente de queixo caído com suas apoteóticas cenas. A ideia de grandiosidade atinge um ponto sem precedentes e, talvez por isso, tenha faltado um pouco de apreço na elaboração de alguma surpresa para além das imagens. Mas, há pelo menos uma reiteração pertinente: James Cameron faz ressurgir aquela armadura gigante utilizada por Sigourney Weaver (que também integra o elenco deste projeto) na antológica luta final de Aliens, o resgate. Se ao vestir o traje, a Tenente Ripley iguala suas forças com as do asqueroso alienígena, no longa de 1986, desta vez é o vilão Quaritch quem se fará valer do recurso para dar cabo dos nossos smufs super-desenvolvidos, expondo os dois lados da relação homem/máquina.
Teria, com isso, o cineasta caído numa baita contradição? Afinal, ele lança mão de todos os recursos tecnológicos disponíveis para falar de mocinhos que lutam munidos de arco-e-flecha contra armas de destruição em massa. No entanto, quando modernas aeronaves sucumbem ao ataque de incríveis criaturas aladas, fica claro que Cameron parece ter mudado de lado nesta batalha entre ciência avançada e o desconhecido.
Se, no título destes escritos faço alusão ao notável livro de Walter Benjamin, no qual constata a perda do caráter único da obra de arte na época de sua reprodutibilidade técnica, é para dizer que Avatar, com suas mais de trinta cópias espalhadas pela cidade, reafirma o único conceito de “aura” seguido pelo cinemão americano de hoje e de “um futuro não muito distante”: o da experiência (única) do espetáculo. Nota: 7,0
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